segunda-feira, 16 de maio de 2011

IV.

Nossa carne como palha
Carne radioativa
Sem sabor.
Sem amor.
Ataraxia ultrapsiquica
Apatia compartilhada.
movimento retilineo uniforme
Sem desejo
Gozo incompleto e choro desatado
escondido pela água do banho.
Frustrada, incapaz de ser desejada
de receber amor
de se sentir viva.
Rancor estagnado
Eu isolada
você intangível
Não creio em nada além dessa
rejeição por ti declarada.
Segurança abalada
estima que você esfacela nas mãos de pedra
que tocam meu corpo
Meu ódio latente
preparando vingança.
Para todos sou moça bonita
e vivo faceira.
Por ti cultivo desprezo a cada semana
Acalanto esse amor só para tirar
quando te fizer falta.
Desprazer extrafísico.
Quase metafísico
inarredável
Carne de consumo fácil
duas sobras
do que outros não mais quiseram.

Nocturnal

Uma ternura instigada
pelo faz de conta da solidão
do ego ferido
tal qual como o cão
Não sou tua
nem te tenho devoção.
Só quis querer te amar
mesmo sem precisar
Beijávamos procurando outras bocas
trepávamos querendo outros corpos
Desnudando apenas o desamor nosso de cada dia,
Pensei sanar minha maldade
no meio da tua tanta mediocridade
Metade sonho
metade grito.
Em mim não pense muito mais
nem fique meio assim.
Não o culpo
porque em nada me satisfez
Só não quis
um presente que tentava tecer
pra te dar.
Se não sou morena brejeira de ancas largas
nem a artista pálida do beco
nem nenhuma das mulheres que te agrada
melhor assim
sem saber quem não sou
Garotinho bobo e mimado
como tantos conheci
e a todos esqueci
Volta pra tua toca.
De mim teve,
arroubos que cessam com a chegada da manhã
Pra nos enganar?
porque
para quem?
Se amanhã mal te lembro o nome