quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entardecer

Desencaixe displiscente
Esvazia, enfim
Teu corpo ainda
em mim
queima quente
tua mão ainda me afaga
Escondida atrás da maquiagem
ainda engasgo
com o último orgasmo
entre lábios secos
A noite se (es)vai
Dificuldade em abotoar o corpo
A carne pulsa
tua alma me incomoda
Não consigo mais me esconder
aborto sombras
a lágrima nasce
meus pés bocejam no corredor
A rotina dança
atrás da porta
Entardecerá.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

III

Nem presa
nem princesa.
Se a verdade te é tão ingrata
porque me apaixono
cada dia por um novo vira-latas.
Se temos tanta vida
pra todo esse pandemônio?
Não meta o dedo na ferida
sou apenas este demônio
que insistes em chamar de patrimônio.
Dizendo que tentou me salvar
de tudo quanto foi maneira.
Que ideia mais descabida essa tua,
de tapar sol com peneira.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dissimulo dores
e simulo sorrisos
quase verdadeiros
No caule do olho
essa fenda hostil
dos meus silêncios
Peço em reticências
o doce tormento
da tua presença.
Essa ternura ambígua
do teu olhar castanho.
Afora,nada me comove.
Exceto amor que se realiza
e se dilui banido
em despedidas.

Retalhos II

Entre
tua insolência
e minha ausência
xeque-mate.
Diga tua profecia
pois meu rumo é incerto
Não te quero perto
pelo menos hoje.
Acendo um cigarro
coloco os erros no bolso,
tudo vai ficar assim.
Melhor pra mim
melhor que um fim.
Por favor,
não diga que gosta de mim
Vidro espatifado
berro no peito
esse arrepio
silêncio fetal
Barulho demais para sonhar
Depois dormir
de um século para outro
e acordar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amor não foi feito pra dar certo
fora da mente
é só um deserto
Rastejo pelo mundo
mas não quero me amarrotar
vou embora
nasci sozinha
se fosse amor, como seria?
nunca como devia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Retalho I

Eu, Maria Ninguém, sou um livro. Obra inacabada, difícil de digerir. Não é fácil ser livro, quando se é pessoa. Entre eu e todos os outros, há entrelinhas e milhares de inferências mal feitas, desfeitas ou não feitas. Não pense em mim como uma puta descontrolada – o que pensaria de uma pessoa como eu. Mas, veja a minha poesia – sem rima, sem métrica, quase prosa. Porque quando te deixei chegar perto de mim, recebi você em minha vida como uma linda metáfora do nada sobre o real.